Dia Internacional da Mulher

Dia internacional da mulher

As mulheres do país e do mundo, até hoje, lutam por direitos iguais e melhor qualidade de vida. Neste dia 8 de março, parabenizamos todas aquelas que lutaram e que lutarão por um futuro melhor, seja reivindicando seus privilégios nas ruas, nas urnas ou no poder público.

 

Anualmente, o Dia Internacional da Mulher é comemorado ao redor do globo. Diferente de outras datas comemorativas, o dia 8 de março tem uma origem nada comercial, tendo seu começo nas lutas feministas pelo direito ao voto e melhores condições de trabalho.

A primeira vez que o Dia da Mulher foi comemorado nesta data foi em 1975, o “Ano da Mulher”, época em que a Organização das Nações Unidas (ONU) intitulou o dia para lembrar as conquistas políticas e sociais até então.

Apesar disso, o primeiro Dia da Mulher da história ocorreu em 26 de fevereiro de 1909, em Nova Iorque, quando 15 mil mulheres marcharam nas ruas reivindicando melhores condições de trabalho e uma jornada menos exaustiva.

Enquanto isso, na Europa, o movimento crescia nas fábricas e, em 1910, a alemã Clara Zetkin propôs em reunião da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas a criação de uma jornada de manifestações. O primeiro dia oficial da mulher foi em 19 de março de 1911.

A ONU, porém, considerou o dia 08 de março pelo ocorrido em 1917 quando, nesta data (23 de fevereiro pelo antigo calendário russo — 08 de março no calendário gregoriano), um grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra as consequências da Primeira Guerra Mundial como a fome, a miséria e o trabalho infantil. O movimento foi o pontapé inicial para a Revolução Russa.
Após a revolução bolchevique, a data foi oficializada entre os soviéticos como celebração da mulher “heroica e trabalhadora”.

As primeiras candidatas no Brasil

O Brasil foi o segundo país da América Latina a dar o direito ao voto às mulheres. Garantiu esse direito antes de países como a França, Itália e Japão. Ainda assim, foram 50 anos de mobilização antes que o voto feminino fosse estendido a todas as brasileiras.

A primeira brasileira a tentar o voto foi Isabel de Souza Matos, em 1885. Em pleno império, a cirurgiã-dentista pediu alistamento eleitoral, afirmando que a lei permitia seu voto, uma vez que a redação dizia que todas as pessoas com títulos científicos seriam consideradas eleitoras.

Ela conseguiu se registrar dois anos depois, mas foi impedida de votar quando foi convocada a Assembleia Constituinte de 1890.

Em 1890 uma baiana chamada Isabel Dillon decidiu, então, tentar seu direito ao voto e ainda a se candidatar a deputada, argumentando que a nova lei estabelecia o direito ao voto a todos os maiores de 21 anos alfabetizados, sem especificar gênero. Ela não conseguiu vencer essa batalha.

Após anos de batalha a bióloga Bertha Lutz conseguiu, em 1927, convencer um candidato do governo do Rio Grande do Norte a apoiar o movimento sufragista e o direito ao voto, dando enfim uma real oportunidade para as mulheres brasileiras exercerem seus direitos eleitorais.

A primeira mulher candidata no Brasil foi a advogada Mietta Santiago. Ela entrou na justiça para garantir seu direito e, não só obteve o direito de votar como também pode concorrer ao cargo de deputada federal.

Ela foi homenageada por Carlos Drummond de Andrade, com uma poesia chamada

“Mietta Santiago

loura poeta bacharel

Conquista, por sentença de Juiz,

direito de votar e ser votada

para vereador, deputado, senador,

e até Presidente da República,

Mulher votando?

Mulher, quem sabe, Chefe da Nação?

O escândalo abafa a Mantiqueira,

faz tremerem os trilhos da Central

e acende no Bairro dos Funcionários,

melhor: na cidade inteira funcionária,

a suspeita de que Minas endoidece,

já endoideceu: o mundo acaba”.

 

Mietta não ganhou, mas sua coragem inspirou outras mulheres e, em 1928, Alzira Soriano concorre a prefeita da cidade Lages (RN) e se tornou a primeira representante municipal eleita na América Latina.

 

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